20 de outubro de 2026
A possível elevação da tarifa de importação dos pneus de passeio deve ganhar um novo capítulo no fim de outubro. O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, o Gecex, tem reunião ordinária marcada para o dia 29, e representantes do setor esperam que o pedido de aumento do imposto seja analisado no encontro.
A proposta apresentada ao governo pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) eleva a alíquota dos atuais 25% para 35%.
Até a publicação desta matéria, a agenda pública da reunião ainda não confirmava formalmente a inclusão do tema. Portanto, a análise no dia 29 é uma expectativa das entidades envolvidas, não uma deliberação oficialmente anunciada pelo governo.
O pleito tarifário citado pela Anip trata especificamente dos pneus de passeio. A proposta não prevê, neste momento, o mesmo aumento para os pneus de carga.
Essa distinção é importante para o segmento de reforma, cuja atividade está diretamente relacionada aos pneus utilizados por caminhões e ônibus. Embora a medida não alcance essa categoria, a discussão faz parte de um debate mais amplo sobre importações, concorrência, qualidade dos produtos e política industrial para o setor de pneus.
A Anip afirma que o mercado brasileiro enfrenta um desequilíbrio provocado pelo crescimento acelerado dos produtos estrangeiros. Por isso, além da tarifa de 35%, a entidade apresentou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços outras propostas.
Entre elas estão a adoção de um preço de referência na alfândega, para aproximar os valores declarados nas importações dos preços praticados internacionalmente, e o reforço da fiscalização sobre a coleta e a destinação de pneus inservíveis.
O pedido ocorre em um momento de forte crescimento das importações. Como o Pnews Digital mostrou na matéria “Importados já respondem por 70% da reposição de pneus no país”, sete em cada dez pneus vendidos no mercado brasileiro de reposição entre janeiro e agosto de 2026 vieram do exterior, segundo levantamento da Anip.
No segmento de passeio e comerciais leves, as importações avançaram 47,8% no período, passando de 18,3 milhões para 27 milhões de unidades. A China respondeu por 81% desse volume, com aproximadamente 21,8 milhões de pneus.
Esses dados já foram detalhados na reportagem anterior. Agora, o ponto central é saber como o governo responderá ao pedido de maior proteção tarifária apresentado pela indústria instalada no país.
A Anip sustenta que a tarifa atual não foi suficiente para conter o avanço dos importados nem para restabelecer condições equilibradas de concorrência.
Na avaliação da associação, parte dos pneus estrangeiros entra no Brasil com preços artificialmente baixos, pressionando a produção nacional, os empregos, os investimentos e a cadeia de fornecedores de matérias-primas.
A entidade afirma que não pretende fechar o mercado às importações, mas estabelecer condições equivalentes para fabricantes nacionais e importadores.
A Anip também relaciona a discussão tarifária às obrigações ambientais. Segundo a associação, com base em dados do Ibama, os importadores teriam acumulado um passivo superior a 500 mil toneladas de pneus inservíveis não recolhidos ao longo de 14 anos.
O dado e a interpretação são apresentados pela Anip, que representa os fabricantes com produção instalada no Brasil.
A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus, a Abidip, posiciona-se contra a elevação da tarifa.
Para a entidade, aumentar o imposto de 25% para 35% pode encarecer os pneus no mercado de reposição, reduzir a concorrência e elevar o custo de manutenção dos veículos.
Os importadores também argumentam que os produtos estrangeiros complementam a oferta brasileira, especialmente em determinadas medidas e aplicações sem produção nacional equivalente.
A Abidip afirma ainda que seus associados atuam legalmente, recolhem tributos e cumprem as obrigações ambientais relacionadas à logística reversa. Para a entidade, eventuais irregularidades devem ser combatidas por meio de fiscalização direcionada, sem penalizar todas as empresas do segmento.
O aumento da tarifa encarece diretamente a entrada do produto importado, mas não permite calcular automaticamente qual será o reajuste para o consumidor.
O preço final depende de fatores como valor de origem, câmbio, frete internacional, estoques disponíveis, margens de distribuição, concorrência e capacidade dos fabricantes nacionais de atender à demanda.
Também não é possível afirmar antecipadamente que todo o aumento do imposto será repassado ao comprador. Da mesma forma, não há garantia de que distribuidores e varejistas absorverão integralmente o custo adicional.
Esse será um dos pontos centrais a observar caso a mudança seja aprovada.
Embora o pedido trate dos pneus de passeio, a decisão poderá sinalizar a direção da política comercial brasileira para todo o setor.
O mercado de pneus de carga também registra forte presença de produtos importados. Para a ABR, além do preço inicial, é necessário considerar a qualidade e o potencial de reforma das carcaças colocadas em circulação.
Um pneu com carcaça adequada pode receber uma ou mais reformas, ampliar sua vida útil, reduzir o custo por quilômetro e adiar o descarte. Quando a carcaça não permite reforma, o produto encerra seu ciclo após a primeira vida.
Por isso, a ABR defende maior controle sobre a entrada de pneus no país e transparência nas informações oferecidas ao comprador. A análise não deve se limitar ao preço do pneu novo: precisa considerar segurança, durabilidade, reformabilidade e responsabilidade ambiental.
A próxima reunião ordinária do Gecex está marcada para 29 de outubro. Se o pedido entrar formalmente na pauta, o comitê poderá aprovar, rejeitar, adiar ou solicitar novos estudos sobre a elevação da tarifa.
Até que a agenda seja publicada e a reunião realizada, a alíquota dos pneus de passeio permanece em 25%.
O Pnews Digital acompanhará a deliberação e seus possíveis efeitos sobre fabricantes, importadores, distribuidores, consumidores e o segmento de reforma de pneus.
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