30 de setembro de 2026
Sete em cada dez pneus vendidos no mercado de reposição brasileiro já são importados, segundo a ANIP, associação dos fabricantes nacionais. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações cresceram 58,3%, de 21,6 para 34,2 milhões de pneus, enquanto as vendas das fabricantes nacionais para reposição recuaram 13,3%, de 16,9 para 14,6 milhões de unidades. Em 2019, a relação era inversa: a indústria instalada no país detinha 66% do mercado. O levantamento da ANIP usa dados do ComexStat.
O peso maior está nos pneus de carga
É no segmento de caminhões e ônibus que o quadro é mais grave: as importações de pneus de carga avançaram 116,2%, enquanto as vendas das fabricantes nacionais para reposição recuaram 9,8%. As nacionais venderam cerca de 2,75 milhões de pneus de carga no mercado de reposição, contra 3,05 milhões no mesmo período de 2025, e os importados já representam 72% desse segmento.
Passeio e motos seguem o mesmo caminho
Nos pneus de passeio, as importações subiram de 18,3 para 27 milhões de unidades, alta de 47,8%, enquanto as vendas nacionais para reposição caíram de 13,8 para 11,9 milhões. A China respondeu por 81% dos pneus de passeio importados no período, com 21,8 milhões de unidades. Nos pneus de moto, a participação das fabricantes nacionais caiu de 73% em 2025 para 67% em 2026; em 2019, era de 92%.
O que diz a ANIP
A entidade lembra que a reposição responde por 62% das vendas das fabricantes nacionais, e que as vendas totais dessas empresas caíram 8,6% no período, de 25,8 para 23,6 milhões de pneus. Para o presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, “não se trata apenas de uma oscilação de vendas”. Ele afirma que a indústria instalada no país perde espaço de forma contínua para produtos importados, muitos deles vendidos, na avaliação da entidade, em condições desleais, e alerta para o risco a empregos, investimentos e à capacidade de produzir no país um item essencial ao transporte rodoviário. Entre as medidas defendidas pela ANIP está um preço de referência para a entrada de pneus importados, para aproximar os valores declarados dos praticados no mercado internacional. A associação também pede mais fiscalização das obrigações ambientais dos importadores e diz não defender o fechamento do mercado.
A carcaça é o ponto central para o reformador
A reforma depende de carcaças em condições de receber uma nova banda de rodagem. Na avaliação da ABR, boa parte dos pneus importados que chegam ao mercado tem carcaça de baixa qualidade, que não permite reforma. Na prática, um pneu que não pode ser reformado encerra sua vida útil no primeiro uso, o que pesa no bolso do transportador e no descarte ambiental.
Por que o assunto importa
A ABR defende maior controle sobre a entrada de pneus no país e a transparência de informações para quem compra. O debate sobre tarifas e política de importação segue no governo, e a associação acompanha o tema em defesa de um mercado em que a economia da reforma continue acessível ao transportador.
Fonte: ANIP (dados de janeiro a agosto de 2026, com base no ComexStat, divulgados em 28/09/2026); [ABR].
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ABR - 11 99299-4340