26 de novembro de 2025
A indústria brasileira de pneumáticos acende um alerta: a combinação entre queda na produção nacional, aumento expressivo das importações e preços desbalanceados tem reduzido a competitividade do setor.
Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) mostram que, de 2021 a setembro de 2025, a balança comercial do setor acumula déficit de R$ 10,5 bilhões, reflexo de importações que já superam 50 milhões de unidades ao ano.
A participação dos pneus nacionais nas vendas internas caiu de 62,5% em 2019 para 48,4% em 2024, consolidando o domínio dos produtos importados — especialmente asiáticos.
O setor pediu ao governo o aumento da tarifa de importação de 25% para 35%, mas o Gecex manteve a alíquota atual pelos próximos 12 meses.
Para Lafaiete Oliveira, country manager da Bridgestone no Brasil, o cenário exige atenção:
“A indústria brasileira precisa de equidade. A entrada massiva de produtos asiáticos balançou a cadeia. O jogo está sem paridade.”
Segundo ele, enquanto países como Estados Unidos e México reforçam mecanismos de defesa comercial, o Brasil tem seguido caminho oposto. Oliveira também destaca que fabricantes locais arcam com obrigações ambientais e de reciclagem — mais de R$ 100 milhões por ano — que não recaem sobre importadores.
Além da questão tarifária, o setor aponta outro desafio: o custo para o transportador, especialmente caminhoneiros autônomos, manterem suas frotas com pneus de qualidade e segurança.
Apesar das dificuldades, áreas como mineração, agronegócio e construção civil seguem puxando a demanda por pneus de maior valor agregado, sustentando parte do desempenho da indústria.
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