16 de outubro de 2026
O mercado de caminhões novos teve um respiro em setembro, mas ainda não compensou o ritmo mais fraco do ano. Segundo a Fenabrave, foram 9.845 caminhões emplacados no mês, alta de 2,51% sobre agosto e de 2,65% em relação a setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, porém, o mercado absorveu 78.665 unidades, contra 81.859 no mesmo período do ano passado, uma queda de 3,89%.
O que sustentou a melhora
Para a Fenabrave, o segmento segue pressionado pelo alto custo financeiro, mas recebeu alívio com o programa Move Brasil. O presidente da entidade, Arcelio Junior, afirmou que as linhas especiais do programa, já esgotadas, ajudaram a reverter o movimento de queda. A data-limite para comunicação de contratações ao BNDES foi 28 de setembro, e a federação ainda espera reflexos nos emplacamentos das próximas semanas, por causa do intervalo entre a contratação do financiamento, o faturamento e o licenciamento dos veículos.
A visão da indústria
A Anfavea, que reúne os fabricantes, trabalha com números um pouco diferentes por usar outra metodologia: 80,9 mil caminhões emplacados de janeiro a setembro, 3,8% abaixo do mesmo período de 2025, quando o ano fechou com 113,5 mil unidades. A entidade passou a projetar 107 mil caminhões licenciados em 2026, contra 106,7 mil na estimativa anterior. Ao mesmo tempo, reduziu as previsões de produção (de 118,2 mil para 115,6 mil unidades) e de exportação (de 25,3 mil para 22,5 mil), e passou a prever queda de 6,5% nas vendas de caminhões e ônibus no ano. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a revisão decorre de expectativas mais modestas para o crescimento do PIB.
Na contramão do restante do mercado
O contraste com os demais segmentos chama atenção. Em setembro, o mercado total de veículos novos registrou 509.686 emplacamentos, o melhor setembro da série histórica da Fenabrave, puxado por carros e comerciais leves. Os caminhões, mais dependentes de crédito de longo prazo e do ritmo da atividade econômica, seguem em um ciclo mais lento.
O que isso significa para o reformador
Quando a renovação da frota anda devagar e o financiamento é caro, a tendência é que os transportadores mantenham seus caminhões em operação por mais tempo e cuidem melhor dos custos de manutenção, entre eles o pneu. Essa é uma leitura do setor, e não um dado divulgado pelas entidades, que não informam a idade média da frota. Mesmo assim, é um cenário em que a reforma tem argumentos fortes: reaproveitar a carcaça reduz o gasto por quilômetro rodado sem exigir o investimento de um veículo novo. Vale ao reformador conversar com seus clientes frotistas sobre planejamento de pneus justamente neste momento.
Vale de atenção
A alta de setembro é pontual e foi ajudada por um programa cujos recursos acabaram. Como os números de Fenabrave e Anfavea diferem entre si, o mais seguro é acompanhar a tendência, e não um valor isolado. As próximas divulgações mostrarão se a recuperação se sustenta sem o incentivo.
Fonte: Fenabrave (emplacamentos de setembro de 2026) e Anfavea (balanço e projeções revisadas, outubro de 2026)
Feira acontece de 9 a 13 de novembro, em São Paulo; credenciamento gratuito termina no dia 7
Projeção combina o cálculo da CBS para 2027 com uma estimativa anterior do IBS; soma não representa uma alíquota conjunta aprovada
Percentual de referência para 2027 seguirá ao Senado; impacto sobre cada empresa dependerá do regime tributário, das operações e dos créditos aplicáveis
Presidente da ARP propõe modernização industrial e valorização do desempenho nas decisões de compra
ABR - 11 99299-4340