8 de setembro de 2026
Uma pesquisa internacional apresentada na feira Tire Cologne 2026 revelou um retrato preocupante do setor de reforma de pneus na Europa: três quartos dos participantes descrevem o estado atual da reforma como “crítico” ou “em declínio”, atribuindo o principal problema à crescente pressão de preço causada por pneus novos importados baratos. O levantamento foi conduzido pela Alliance for Future Tyres (AZuR) na primavera europeia de 2026, ouvindo empresas e especialistas da Alemanha e de outros mercados europeus e internacionais, com o objetivo de mapear a situação prática do setor, seus fatores de sucesso e os desafios políticos enfrentados. Rubberworld
Um problema que atravessa fronteiras
O diagnóstico europeu tem muita semelhança com o que o setor brasileiro vem enfrentando: a concorrência de pneus importados a preços baixos corroendo a competitividade da reforma, que historicamente se apoia em custo menor frente ao pneu novo. Quando esse diferencial de preço encolhe por causa de importados baratos, o reformador perde justamente o argumento comercial que sustenta o negócio.
O que a Europa está propondo
Diante do cenário, a maioria dos respondentes defende apoio político mais forte para soluções sustentáveis de pneus como a reforma. Entre as propostas estão critérios de sustentabilidade obrigatórios em compras públicas, marcos regulatórios mais claros e tratamento equivalente para pneus reformados dentro dos sistemas europeus de ESG e taxonomia — incluindo modelos já usados na França e países escandinavos, como taxas obrigatórias de descarte (“eco-tax”), além de iniciativas nacionais de cooperação para reciclagem e economia circular. Rubberworld
Por que isso importa para o reformador brasileiro
Ver que o mesmo desafio se repete em mercados maduros como o europeu reforça um ponto importante: a pressão de preço do pneu importado não é uma particularidade brasileira, é um movimento estrutural do setor no mundo todo. Isso também mostra um caminho possível de resposta — o debate europeu por reconhecimento formal da reforma como solução sustentável (com incentivo em compras públicas e regras equivalentes às de pneus novos) é uma pauta que associações do setor, como a ABR, também podem observar de perto ao dialogar com o poder público brasileiro.
Fonte: Rubber World / Alliance for Future Tyres (AZuR), pesquisa apresentada na Tire Cologne 2026
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