30 de junho de 2026
Um estudo inédito desenvolvido pela Junsoft, empresa especializada em sistemas de gestão para o setor de reforma de pneus, trouxe novos dados para uma discussão importante sobre a durabilidade das carcaças utilizadas no transporte rodoviário brasileiro. A pesquisa analisou mais de 709 mil pneus de caminhões e ônibus processados entre janeiro de 2025 e maio de 2026 e identificou que os pneus de fabricação nacional apresentam, em média, 16% mais potencial de reforma do que os importados.
Segundo o levantamento, um pneu nacional completa, em média, 1,94 ciclos de reforma, enquanto os importados chegam a 1,78. Embora a diferença pareça pequena em números absolutos, ela representa um impacto significativo quando projetada para grandes frotas e para toda a cadeia da reforma de pneus.
O estudo também aponta que o principal ponto de diferença entre nacionais e importados ocorre na primeira tentativa de recapagem. Nessa etapa, 21,6% das carcaças importadas são rejeitadas, contra 16,9% das nacionais. Na prática, isso significa que aproximadamente um em cada cinco pneus importados não consegue sequer iniciar seu primeiro processo de reforma.
Os resultados reforçam um conceito cada vez mais importante para transportadores e gestores de frota: o menor preço na aquisição nem sempre representa o menor custo ao longo da vida útil do pneu.
Como a reforma representa apenas uma fração do custo de um pneu novo, carcaças com maior capacidade de recapagem proporcionam melhor retorno financeiro, ampliando o tempo de utilização e reduzindo a necessidade de substituição.
De acordo com as projeções apresentadas pela Junsoft, uma frota de 100 caminhões pode economizar mais de R$ 120 mil por ano ao utilizar pneus com maior potencial de reforma, além de reduzir significativamente a geração de resíduos.
Além do aspecto econômico, o estudo evidencia a contribuição da reforma de pneus para a sustentabilidade.
O Brasil possui uma das maiores indústrias de recapagem do mundo, atividade que prolonga a vida útil das carcaças, reduz o consumo de matérias-primas e diminui o descarte de borracha e aço. Quanto maior a recapabilidade de um pneu, maior também seu potencial de contribuir para uma economia circular mais eficiente.
Outro dado relevante mostra que cerca de 23% dos pneus nacionais chegam à terceira reforma, enquanto entre os importados esse percentual é de aproximadamente 11%, indicando maior resistência das carcaças nacionais ao longo do tempo.
Para a Associação Brasileira do segmento de Reforma de Pneus (ABR), levantamentos como esse contribuem para qualificar o debate sobre o mercado, oferecendo informações objetivas para transportadores, reformadores e gestores de frota.
Ao avaliar um pneu não apenas pelo preço de aquisição, mas também pelo seu potencial de reforma, custo por quilômetro, segurança e impacto ambiental, o setor avança para decisões mais eficientes e sustentáveis, fortalecendo toda a cadeia da reforma de pneus.
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