03 de novembro de 2026




NOTÍCIAS - Mercado



3 de setembro de 2026

Canadá investiga dumping e acende alerta também para o mercado de reforma

O avanço dos pneus chineses sobre diferentes mercados começa a provocar novas reações da indústria internacional.


O Canadá abriu uma investigação formal para apurar possíveis práticas de dumping e concessão de subsídios nas exportações de pneus para caminhões e ônibus produzidos na China.

A investigação foi iniciada em 31 de agosto pela Canada Border Services Agency (CBSA), agência responsável pelos serviços de fronteira do país, e ganhou divulgação oficial nesta quinta-feira, 3 de setembro.

Um aspecto chama especialmente a atenção do mercado brasileiro de reforma: a denúncia que deu origem ao processo foi apresentada conjuntamente pela Canadian Retread Manufacturers Association (CRMA), que representa reformadores de pneus do país, e pela Michelin North America (Canada).

Segundo os denunciantes, o aumento do volume de pneus chineses comercializados em condições consideradas desleais estaria provocando impactos que vão além da indústria de pneus novos.

Entre os prejuízos alegados estão redução de preços, perda de vendas e volumes, diminuição da participação de mercado, menor utilização da capacidade instalada, redução de empregos e rentabilidade e impactos negativos sobre novos investimentos.

Mercado de US$ 1,2 bilhão por ano

De acordo com as autoridades canadenses, o mercado de pneus para caminhões e ônibus no Canadá movimenta aproximadamente US$ 1,2 bilhão por ano.

A investigação envolve pneus novos ou reformados destinados a veículos como caminhões médios e pesados, implementos rodoviários, ônibus e outros veículos de grande porte.

A participação da associação de reformadores na denúncia evidencia uma questão importante: os efeitos de uma entrada massiva de pneus novos a preços muito baixos podem alcançar toda a cadeia e alterar também a dinâmica econômica da reforma.

Para o reformador, a discussão não se limita à disputa entre fabricantes de pneus novos. Preços artificialmente baixos na primeira vida do pneu podem modificar a relação entre aquisição, manutenção e reforma, pressionando empresas que dependem de carcaças de qualidade e de uma cadeia economicamente sustentável ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

Investigação terá novas etapas

O Canadian International Trade Tribunal (CITT) também iniciou uma investigação preliminar para verificar se há indícios de danos à indústria canadense.

A primeira decisão está prevista para 30 de outubro. Já a CBSA deverá apresentar, até 30 de novembro, suas conclusões preliminares sobre a existência ou não de dumping, subsídios ou ambas as práticas.

A abertura do processo não significa, portanto, que as irregularidades já estejam comprovadas. O objetivo desta etapa é justamente verificar as alegações e determinar se existem elementos para a adoção de medidas comerciais.

Ainda assim, o movimento canadense ganha relevância por demonstrar que a preocupação com o crescimento das importações chinesas no setor de pneus não está restrita a um único mercado.

Um debate que também acontece no Brasil

O caso ocorre em um momento no qual o mercado brasileiro enfrenta cenário semelhante de forte crescimento das importações.

Dados divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) mostram que as importações de pneus cresceram 81,2% no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, as vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga fabricados no Brasil recuaram 6,8%.

Foram comercializados 17,8 milhões de pneus produzidos no país nos primeiros seis meses deste ano, contra 19,1 milhões no mesmo período de 2025.

A participação dos produtos nacionais no mercado de reposição também vem diminuindo. Segundo a ANIP, os pneus produzidos no Brasil responderam por apenas 29% desse mercado no primeiro semestre.

O cenário levou fabricantes e diferentes entidades da cadeia da borracha a defenderem medidas para combater eventuais práticas de concorrência desleal e preservar a capacidade produtiva instalada no país.

Reforma também faz parte dessa equação

Para o setor de reforma, acompanhar esse movimento internacional é particularmente importante.

A experiência canadense coloca os reformadores formalmente dentro de uma discussão que, muitas vezes, é tratada apenas como uma disputa entre fabricantes nacionais e importadores.

A qualidade e a disponibilidade das carcaças, a possibilidade de prolongar a vida útil dos pneus e a competitividade econômica da reforma estão diretamente relacionadas às características dos produtos que entram no mercado.

Por isso, o debate sobre importações, preços e concorrência ultrapassa a primeira venda do pneu. Ele alcança todo o seu ciclo de vida.

O processo iniciado no Canadá ainda terá vários capítulos antes de qualquer conclusão. Mas o fato de uma associação de reformadores estar entre os protagonistas da discussão oferece um sinal importante para outros mercados, inclusive o brasileiro: diante de mudanças profundas na origem e no perfil dos pneus em circulação, os impactos precisam ser analisados considerando toda a cadeia.

E a reforma faz parte dela.



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