24 de fevereiro de 2026




NOTÍCIAS - Especial



24 de fevereiro de 2026

Reviravolta no tarifaço de Trump muda o jogo para o agro do Brasil; entenda

Queda nas tarifas melhora competitividade e reposiciona o Brasil no comércio com os Estados Unidos


Um estudo do Global Trade Alert, entidade que monitora políticas de comércio internacional, aponta que o Brasil é o maior beneficiário comercial após as mudanças recentes na política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo o levantamento, a tarifa média efetiva aplicada atualmente aos bens brasileiros caiu de cerca de 26,3% para 12,8% após as reconfigurações anunciadas nos últimos dias.

O percentual é inferior ao enfrentado por muitos outros parceiros comerciais dos Estados Unidos e coloca o Brasil em posição relativamente mais vantajosa frente a países europeus e asiáticos, que passaram a pagar taxas médias mais elevadas.

Na prática, a maior parte dos produtos brasileiros passa a enfrentar uma tarifa inicial de 10%, com exceção de itens como aço e alumínio, que continuam sujeitos à alíquota de 50%, somada à tarifa global. A nova configuração entra em vigor nesta terça-feira (24).

De modo geral, analistas seguem a mesma linha e avaliam que o Brasil e, em especial, o agronegócio brasileiro, saem favorecidos no arranjo atual.

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que grande parte do pacote de tarifas aplicado a mais de 180 países era ilegal, uma vez que a medida dependeria de aprovação do Congresso norte-americano, o que não ocorreu.

Em seguida, Trump anunciou uma tarifa recíproca de 10% para todos os países com relação comercial com os Estados Unidos.

Posteriormente, afirmou que elevaria a alíquota para 15%, com base na seção 122 da lei de 1974, dispositivo nunca utilizado por outro presidente e com prazo de validade de 150 dias. Após esse período, a medida precisa ser submetida ao Congresso para continuar em vigor. O decreto presidencial que eleva a tarifa de 10% para 15% ainda não foi publicado.

O resultado prático é que o Brasil ganhou fôlego: no auge da escalada tarifária, as taxas sobre produtos brasileiros chegaram a 50%. Agora, vigora uma tarifa global uniforme de 10% sobre as importações, com exceções já previstas para alguns produtos agrícolas brasileiros beneficiados anteriormente.

A mudança não significa que o Brasil esteja livre das barreiras tarifárias nos Estados Unidos, mas reduz de forma significativa o peso que recaía sobre os produtos nacionais.

Alguns itens agrícolas de grande relevância na pauta de exportações seguem isentos da sobretaxa global, como carne bovina, suco de laranja, café e celulose, o que contribui para manter a competitividade brasileira naquele mercado.

 

 



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