10 de outubro de 2026




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18 de setembro de 2026

EUA discutem crédito fiscal federal para quem compra pneu reformado nacional

Projeto de lei bipartidário quer incentivar frotas a escolher reforma americana — e o argumento inclui empregos e meio ambiente


Um projeto de lei em tramitação no Congresso americano, o H.R.3401, propõe conceder crédito fiscal federal para frotas comerciais que comprarem pneus reformados fabricados nos Estados Unidos. O projeto foi reapresentado pelos deputados Darin LaHood (republicano, Illinois) e Emilia Strong Sykes (democrata, Ohio) — uma articulação bipartidária pouco comum — e tem o apoio formal da USTMA (Associação Americana de Fabricantes de Pneus), entidade equivalente à ABR no mercado americano.

O que o projeto propõe

A ideia é simples: dar incentivo financeiro para que frotas prefiram reforma nacional ao pneu novo importado. Segundo a USTMA, cerca de 15 milhões de pneus são reformados anualmente nos EUA, incluindo quase 44% dos pneus de caminhão comercial em circulação no país e no Canadá — um volume expressivo que mostra o quanto a reforma já é parte estrutural da frota pesada norte-americana.

Por que a indústria pediu ajuda

O pano de fundo do projeto é uma queda acentuada no número de plantas de reforma nos EUA: de mais de 3.000 unidades em 1982 para apenas 500 atualmente. Segundo a USTMA, o principal motivo foi o aumento de importação de pneus estrangeiros — muitos deles fabricados sem projeto para permitir reforma futura. Cerca de 65% desses pneus importados simplesmente não são reformáveis, o que enfraquece os programas locais de reciclagem e prejudica o produtor nacional. Anne Forristall Luke, presidente e CEO da USTMA, resumiu o argumento: dar crédito fiscal a quem compra reforma americana é uma oportunidade de sustentar manufatura doméstica e fortalecer a economia do país.

O argumento ambiental por trás do incentivo

O projeto também se apoia fortemente em dados de sustentabilidade. Segundo a USTMA, cada pneu reformado economiza cerca de 15 galões de óleo e 90 libras de material virgem em relação a um pneu novo — o que, em escala, já reduz o consumo de óleo nos EUA e Canadá em 215 milhões de galões por ano. O processo também reduz emissões de CO₂ em 24%, corta o uso de água em 19%, diminui a poluição do ar em 21% e mantém 1,4 bilhão de libras de resíduo fora de aterros sanitários todos os anos.

Emprego é outro pilar do argumento

O setor de reforma nos EUA emprega diretamente mais de 51 mil trabalhadores e sustenta mais de 268 mil empregos em toda a cadeia da indústria de pneus. A maior parte da reforma americana é produzida por pequenas empresas, geralmente com 10 a 60 funcionários — um perfil bem parecido com boa parte do associativismo que a ABR representa no Brasil.

Por que isso interessa ao reformador brasileiro

O caso americano mostra um caminho possível de resposta a um problema que o Brasil também enfrenta: concorrência de pneu novo importado pressionando a reforma local. Nos EUA, a resposta que está sendo construída não é apenas regulatória — é um incentivo fiscal direto para quem escolhe comprar reforma nacional, com apoio bipartidário e justificativa que combina economia, emprego e meio ambiente. É um modelo de advocacy que associações do setor, incluindo a ABR, podem observar de perto ao construir seus próprios argumentos junto ao poder público brasileiro.

Fonte: Tire Review, com dados da U.S. Tire Manufacturers Association (USTMA)



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