2 de outubro de 2026
Um estudo publicado na revista científica Journal of Cleaner Production trouxe uma das avaliações mais completas já feitas sobre o impacto ambiental da reforma de pneus de caminhão. A pesquisa, conduzida por uma equipe vinculada ao Departamento de Engenharia Industrial da Universidade de Trento (Itália), com participação técnica da fabricante Marangoni, comparou — usando a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) — um pneu novo e um pneu reformado, do berço ao túmulo: da extração da matéria-prima até o descarte final.
Como o estudo foi conduzido
Os pesquisadores modelaram um pneu de caminhão medida 385/65R22.5, comparando dois cenários: um pneu novo com vida útil de 160 mil km, e um sistema de pneu reformado — o mesmo pneu original rodando os mesmos 160 mil km, mais uma reforma, somando 320 mil km de vida útil total. Para comparar as duas opções de forma justa, os autores definiram a unidade de medida como “um pneu rodando mil quilômetros”, nivelando a análise independente da vida útil total de cada sistema.
O resultado: menos impacto em todas as categorias avaliadas
O resultado foi inequívoco: o sistema com reforma teve impacto ambiental menor em absolutamente todas as categorias analisadas, com economia média de cerca de 33%. Os destaques:
Mesmo as categorias com menor redução — como material particulado (entre 1% e 9%) — ainda assim registraram resultado favorável à reforma, nunca desfavorável.
Por que a reforma gera esse ganho
A explicação central dos pesquisadores é direta: a reforma evita boa parte da energia e da matéria-prima necessárias para fabricar um pneu inteiramente novo. Como a carcaça é reaproveitada, cai a demanda por borracha natural e sintética, aço, materiais têxteis e outros insumos — além de evitar parte significativa da energia usada na fabricação completa de um pneu novo. O estudo identifica a borracha natural como o material de maior peso ambiental em ambos os cenários, com atenção especial à produção na Tailândia, incluindo o efeito do cultivo, uso de fertilizantes e mudança no uso da terra.
Uma ressalva importante: desempenho tem que ser equivalente
Os autores fazem questão de destacar um ponto técnico: a análise assume que a resistência ao rolamento do pneu reformado é equivalente à do pneu novo, com base em dados industriais reais do produto estudado. Esse detalhe importa porque, se a reforma resultasse em maior resistência ao rolamento, o consumo extra de combustível durante o uso poderia reduzir parte do ganho ambiental obtido na fabricação. No caso estudado, os dados confirmaram desempenho equivalente entre os dois pneus — o que permite que a economia de material e energia da reforma realmente se traduza em benefício ambiental líquido.
Por que isso importa para o reformador brasileiro
Esse tipo de estudo é valioso porque transforma um argumento que o setor já defende há anos — “reforma é mais sustentável” — em evidência quantificada e publicada em revista científica revisada por pares. Para a ABR, é um material de referência sólido para embasar conversas institucionais, materiais de divulgação e argumentação técnica junto a clientes, imprensa e poder público: não é mais só uma afirmação do setor, é um número validado cientificamente — reforma reduz, em média, um terço do impacto ambiental do serviço do pneu de caminhão.
Fonte: Journal of Cleaner Production — “Cradle to grave life cycle assessment of retreaded truck tyres: an industrial case study in Italy” (Valentini, Cucci, Marangoni, Leppert, Brioschi e Dorigato), via Retreading Business
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